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19 de maio de 2013

Filosofando sobre o uso de Photoshop para retoques de pele

Um de meus trabalhos mais recentes exigiu que fizesse algo que não tenho costume, que é retocar detalhes de pele dos fotografados.

Enquanto fazia a seleção e realizava o tratamento das imagens, me vi confrontado com duas questões que, volta e meia, passam pela minha cabeça:

  • Qual será o limite ético do quanto posso modificar a imagem, sem remover características que fazem parte da identidade da pessoa?
  • Será que estou adulterando as imagens, forjando algo que não tem relação alguma coisa com a realidade e, por conta disso, faço algo que é por si só condenável?

Antes de começar a revirar esses pontos, acho bom esclarecer um engano comum sobre o assunto: o Photoshop não é uma ferramenta mágica, como muito gente pensa. Não existe uma opção de “Remover olheiras” e “Apagar espinhas” que em um simples clique de mouse deixe as pessoas da foto com cara de bebê.

Corrigir imperfeições exige tempo, e costuma ser um ofício um tanto quanto tedioso. É por causa disso mesmo que tal tarefa não costuma fazer parte do meu fluxo de trabalho. Para se ter uma ideia de como não é coisa fácil, existem profissionais que trabalham exclusivamente com isso. Muitos fotógrafos terceirizam o tratamento mais rebuscado para retocadores especializados.

Sobre o limite do quanto se pode retocar a pele de alguém, ouvi certa vez de um amigo o seguinte: se algo não faz parte da minha pele por natureza, então pode ser removido. Por exemplo, aquela pinta de nascença embaixo da orelha fica, enquanto a espinha que apareceu bem na semana das fotos sai. Tal raciocínio me parece razoável, porém acho que ainda dá para irmos mais fundo.

Nem vou me atrever a entrar na questão do jornalismo, que abre todo um leque diferente de indagações. Mas fiquei sabendo que de uns tempos pra cá emissoras de televisão tem discutido também sobre esse tipo de coisa.

O amplo uso de televisores HD, em conjunto com as transmissões de alta definição promoveu um grande paradoxo: mais detalhes fazem com que os produtores não só devam ter mais cuidado com a construção de cenários e figurino, como também usem mais maquiagem para esconder os “defeitos” de pele e marcas de idade no rosto dos atores.

Se por um lado pagamos caro para termos acesso à tecnologia que permite uma reprodução de vídeo de “alta fidelidade”, por outro produtores e cinegrafistas se preocupam em não deixar que o conteúdo seja “reais” demais. Será que quem está por trás das câmeras é o vilão? Ou será que nós mesmos exigimos algo diferente daquilo que pensamos querer?

Certa vez ouvi de uma parente que ela não gostava de assistir documentários, pois não tinha paciência de assistir filmes com gente feia.

Conheço um documentário muito bacana, que trata de alguns pontos que são transversais à essa discussão. Câmara Viajante” é um filme que sinaliza que talvez esse negócio de modificar imagens de pessoas não sejam algo tão particular da nossa cultura contemporânea pós-moderna.

O documentário aborda a arte da fotopintura no nordeste brasileiro, com certa ênfase nos depoimentos e trabalhos do famoso Mestre Júlio. A técnica mostrada permite que, além da conversão de pequenas fotos p/b velhas em grandes recriações em cores, o cliente também faça mudanças no retrato original, alterando cenários e até adicionando características ao retratado.

Há duas frases de Mestre Júlio que julgo especialmente interessantes:

O retrato pintado é aquilo que você quer ser depois, não aquilo que você é.

Nós somos apenas interferidores.

No fim das contas, tanto para o fotopinturista quanto para muitos dos fotógrafos atuais a “realidade” não importa muito. Quando fotografo, estou muito mais preocupado com a fantasia e com a forma como a pessoa deseja se lembrar de um determinado momento da vida dela.

Se for sincero comigo mesmo, tenho que admitir que, durante uma sessão, todas as minhas decisões artísticas e técnicas – distância focal da lente, ponto de vista, poses, orientações com relação ao figurino, maquiagem, iluminação, etc – tem por objetivo “torcer” a realidade naquilo que acredito que vai agradar esteticamente mais a mim e a quem me contrata. Até onde sei, isso que é arte.

É importante nos lembrarmos que cada sociedade tem enraizada em seu imaginário coletivo certos ideias de estética. Enquanto gueixas apertam os pés, africanas de várias tribos se pintam com barro para se embelezarem antes do casamento. Enquanto as brasileiras passam bronzeador na praia, muitas indianas fazem de tudo para manter a pele o mais branca possível, carregando uma sombrinha por onde quer que forem.

Se faz necessário levar em conta o referencial estético-cultural do cliente, afinal é daí que brotam suas expectativas com relação a sua própria imagem. É ele que paga pelo meu trabalho, ofício esse de onde vem meu sustento. Decepcioná-lo é dar tiro no pé. Se for pra retocar pele no Photoshop, que assim seja.

Isso quer dizer que vale tudo para nos moldarmos na aparência dos sonhos? Não.

É óbvio que a manipulação das imagens tem efeitos colaterais graves na sociedade.

Somos expostos à imagens de homens e mulheres “perfeitos” o tempo inteiro. E isso ocorre de forma tão constante e onipresente que acabamos nos esquecendo que elas se tratam de verdadeiras montagens. A representação de alguém em cada capa de revista de moda é fruto do trabalho de uma equipe de profissionais da aparência.

Aquilo que você vê é o melhor fragmento, polido, lapidado, de uma construção planejada para separar a pessoa representada de nós todos, meros mortais. É loucura se comparar ou ter algo assim como ideal, já que uma mera tentativa de assemelhação já seria injusta demais.

Por fim, a distorção repetida em larga escala promove um distanciamento entre a imagem que as pessoas constroem de si mesmas da impressão que elas deixam em quem as vê.

Seja como criadores de imagens ou consumidores de conteúdo, temos que estar atentos para sermos ponderados com relação a como as coisas são de fato, priorizando aquilo que é mais importante do que a beleza, como a saúde, por exemplo. Equilíbrio e honestidade são alguns dos princípios que podem nos proteger de nos tornarmos tanto fomentadores quanto vítimas da ilusão coletiva da aparência forjada.

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Câmera Viajante

Dove Retratos da Real Beleza (Versão Estendida)

Links sobre fotopintura:

superacao-2
6 de maio de 2013

Superação

Uma menina de oito anos de idade faz aula de balé. Ela tenta fazer o plié, mas uma dor estranha a impede. Médico pra lá, médico pra cá, e durante um bom tempo ninguém consegue descobrir onde está o problema. Bem, esse foi o primeiro sintoma que Thais sentiu de uma condição médica que hoje a impossibilita de mover os braços e as pernas. Herdada geneticamente e de origem desconhecida, a polineuropatia é a inimiga número um dessa moça.

Viçosa, dia 17 de fevereiro. Pouco antes das 14 horas, estava eu pagando o aluguel na imobiliária quando meu celular tocou. Quem falava era Cláudia, voluntária de uma ONG de origem americana que atua no Brasil. Cláudia me contou que Thais havia sido contemplada pela instituição que ela representava para ter um de seus sonhos atendidos: ter seu quarto reformado, sendo que em uma das paredes deveria haver um grande mural cheio de fotos suas. Quando ela disse que queria que eu enviasse uma proposta de serviço para realizar as fotos, fiquei não só emocionado com a história da jovem, mas também bastante preocupado, com muito medo de não dar conta do recado.

Como fotografar dentro de limitações tão rígidas? Como apresentar um conjunto de fotos com diversidade em termos de poses e lugares, sendo que a fotografada é cadeirante? Ainda preocupado, enviei minha proposta para Cláudia e fui estudar. Descobri assim que uma boa estratégia seria trabalhar as cenas não só em termos de mudanças na iluminação, maquiagem e figurino, mas principalmente em termos de planos de fundo. Visto que não poderíamos ficar mudando muito de lugar nem subir escadas, escolhi uma área que funcionaria como um palco para diferentes cenários.

Meu desafio pessoal para o dia da sessão consistia em entregar pelo menos cinquenta imagens que transmitissem, além do jeito, personalidade, gostos e caprichos, um pouco da história da moça. Minha meta com esse trabalho era mostrar a pessoa além da doença, o ser humano além da limitação. Minha visão é que, como qualquer um de nós, Thais recebeu o dom da vida e o poder de, através de sua postura frente aos desafios, escrever a própria história.

Somos todos igualmente vulneráveis. O que aconteceu com ela pode acontecer com qualquer um. A fragilidade faz parte da nossa condição humana e é exatamente por causa disso que histórias como a dela nos tocam tanto.

Se apesar de todo o medo que tive, ainda assim consegui entregar esse trabalho, isso não foi possível sem que eu passasse por um processo de superação. E me superei através de um esforço de traduzir visualmente a história individual de uma moça que tem que se superar todos os dias para não desistir de viver. Isso tudo me fez pensar no quanto que a vida pode exigir que a gente dê nosso melhor dentro das limitações que nos são impostas. Tenho aprendido que coisas fantásticas acontecem quando nos esforçamos de verdade em meio às adversidades. É evidente que algumas pessoas tenham que lidar com obstáculos mais altos do que outras, mas ainda assim o princípio permanece o mesmo.

Por fim, sou muito grato pela oportunidade de ajudar a realizar o sonho de alguém. Será que é assim que um anjo se sente?

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Veja as diferentes seleções dessa sessão

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Créditos

  • Regiane: Madrinha de Thais (foi quem fez o primeiro contato com a ONG), ficou correndo com Thais de um lado para o outro pelo asfalto na UFV
  • Maria José: Maquiagem e atenção à decoração com balões
  • Lucília: Cabelo, figurino e bom humor
  • Daniel: Piadas sem graça e muita força no braço pra segurar o flash na sombrinha
  • Almir: Motorista oficial da sessão e segurador de fundo preto
Olhando pela primeira vez
4 de maio de 2013

Olhando pela primeira vez

Para começar a aula de fotografia de ontem, apresentei ao grupo um texto chamado Vista Cansada, de Otto Lara Resende.

Durante a conversa, nos deparamos com a curiosa oposição entre olhar uma coisa pela última vez  versus pela primeira vez. E seguindo com o papo, chegamos à conclusão de que ao olharmos algo pela primeira vez, estamos cheios de encantamento e deslumbre. O último olhar, por outro lado, tenta apreender tudo de uma vez só, cheio de melancolia e, muitas vezes, tristeza.

Crianças são especialistas em olhar para as coisas pela primeira vez. Fico observando minha filha, que no momento tem apenas cinco meses, e já fico impressionado com sua curiosidade.

Quando penso nisso, vejo que ser pai é um grande privilégio, pois tenho a oportunidade de guiar os primeiros olhares de minha pequena. A coisa vai muito além de poder introduzir meus filmes e álbuns musicais prediletos. Se trata de apresentar o melhor e pior do planeta para alguém que começa a vida pegando o bonde do mundo andando!

Melissa nunca viu um pôr-do-sol de dentro de um avião, nem mesmo o mar, e nem sequer um simples cavalo. Mal posso esperar para começar a explicar pra ela os mais diversos fenômenos da natureza! Obrigado, Beakman!

O problema é que com esse privilégio de introduzir a criança à parte bonita da vida, também está atrelada uma pesada responsabilidade. Peço a Deus as palavras certas para explicar as mazelas do mundo, como as injustiças, pobreza e violência que vemos em nossa sociedade.

“- Pai, como é possível que tantas coisas ruins aconteçam com pessoas que são boas?”

Acredito que boa parte dos problemas do mundo – frieza, indiferença, egoísmo… – venha de uma “perda de visão”.

O último parágrafo do texto mencionado no início do post também aponta nessa direção:

“Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.”

Cabe a nós não deixar que o monstro da indiferença se instale em nossos corações. Torço para que a gente consiga combater esse vilão com um super-poder inusitado: a visão de criança, aquela que faz com que olhemos as coisas como se as estivéssemos vendo pela primeira vez.

Família Bueno Pereira
21 de abril de 2013

Família é uma coisa dinâmica

Há várias outras fotos da sessão de hoje que me agradaram mais. Porém essa aqui merece um lugar de destaque especial pelo valor simbólico que possui.

Esse registro me faz pensar na forma como uma família funciona. Talvez minha interpretação esteja contaminada por minhas experiências recentes, como pai de família… Mas ao me debruçar sobre a imagem por alguns segundos, vi os três caminhando sobre os trilhos de forma meio desajeitada e instável, porém ainda assim em movimento.

Isso me faz pensar em como a família é uma coisa viva e dinâmica, que vai se adaptando a cada passo. Uma nova etapa está começando na família Bueno Pereira. E mais uma vez está chegando a hora dessa turma se transformar, acolhendo uma nova vida que vai iluminar e sacudir o cotidiano da casa!

O detalhe mais importante da foto, contudo, é o sorriso de satisfação que podemos ver no rosto do casal. Com todos os compromissos, responsabilidades e desafios pessoais, a gente pode perceber um tipo de alegria de viver especial, que só aqueles que formam família tem o privilégio de conhecer!

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Novidade: não deixe de conferir as outras fotos que estão em minha página do Facebook e portfolio oficial!

O vídeo da sessão também acabou de ficar pronto!

Curso de fotografia
18 de abril de 2013

Curso de Introdução à Fotografia Digital

Oi pessoal!

Em função de várias pessoas terem me procurado interessadas em aprender mais sobre fotografia, decidi oferecer um curso um pouco mais extenso.

Aproveite essa oportunidade e descubra como tirar o máximo da sua câmera fotográfica!

Dias e horários

  • Dia 26 de abril, às 18h30 irá ocorrer a primeira aula. Os próximos encontros serão definidos de acordo com a disponibilidade dos alunos e do professor.

Estrutura do curso

  • O curso é composto de cinco aulas temáticas, de 1h30min a 2h cada.
  • Por ter uma estrutura modular (ou seja, cada aula trata de um tema com início, meio e fim), os participantes podem optar por participar de aulas isoladas.

Forma de pagamento

  • Exclusivamente aos alunos que forem participar de todas as aulas e optarem por fazer o pagamento até o dia 25 de abril (via transferência ou depósito bancário), será dado um desconto de 10% sobre o valor total. Ou seja, paga-se R$225,00 pelo curso completo, desde que o mesmo seja realizado antes do dia 25 de abril de 2013.
  • Aqueles que escolherem não pagar adiantado, devem realizar o pagamento em dinheiro ao final de cada aula. O valor para participar de cada aula isolada é de R$50,00.

Local das aulas

  • Na casa do professor, na Rua Bruno Martinho, do Bairro de Fátima, em Viçosa-MG. O endereço exato será enviado para aqueles que efetuarem a inscrição.

Certificado

  • Será fornecido certificado de participação aos alunos que assim desejarem, no qual será informada a carga horária  total e os temas das aulas das quais o aluno participou.

Conteúdo do curso

          • Aula 1: Teoria da fotografia
            • O que é fotografia?
            • Fotos são documentos ou formas de expressão?
            • Dinâmica de análise de imagens
            • Uma breve história da fotografia
            • Princípio da formação da imagem: câmera obscura e pinhole
            • Tipos de câmera e como escolher a sua câmera
          • Aula 2: Composição – Noções gerais
            • Ver não é olhar
            • Câmera vs olhos: enxergando como a câmera
            • Um clique não é o suficiente
            • Guiando os olhos de quem vê
            • Em busca da simplicidade
            • Disparando com o processamento em mente
            • Encontrando a luz certa
            • Luz vs sombra: preto e branco
            • Assunto vs contexto: primeiro plano e plano de fundo
            • Lidando com camadas e planos
          • Aula 3: Composição – Conceitos específicos
            • Pintando com cores
            • Enquadrando cenas
            • Determinando o ponto de vista: perspectiva
            • Regra dos terços
            • Compondo pessoas vs paisagens
            • Linhas
            • Formas
            • Repetição
            • Simetria
            • Interseções
            • Justaposição
            • Texturas
            • Espaço negativo
          • Aula 4: Lentes
            • Ciclo de vida de câmeras vs lentes
            • Como lentes funcionam
            • Trocando lentes
            • Marcas de lentes
            • Círculo de imagem
            • Sensores
            • Fixas vs zoom
            • Lentes teleobjetivas
            • Lentes grande-angulares
            • Profundidade de campo
            • Escolhendo lentes
            • Características de lentes:
            • Qualidade de imagem
            • Características especiais: antivibração, macro, tilt-shift, lens baby, fish-eye
            • Tamanho e peso
            • Filtros
            • Para-sol
            • Foco automático vs foco manual
            • Live view
          • Aula 5: Modo manual
            • Anatomia da câmera DSLR
            • Importância do modo manual
            • Disparador e pré-foco
            • Abertura: profundidade de campo
            • Velocidade: movimento na cena
            • ISO: sensibilidade do sensor
            • Lei da reciprocidade
            • Balanço de branco
            • Fotometria
            • Tipos de autofoco
            • Modos da câmera: prioridade de abertura, velocidade e P
            • Campo dinâmico e histograma
            • Sub e superexposições intencionais
            • Formatos de imagem

Forma de inscrição

  • Para participar do curso, é necessário que a pessoa faça a reserva de vaga através do formulário abaixo.

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